terça-feira, 19 de abril de 2011

o primeiro voo














Assistimos, na última quarta-feira, 13, ao voo inaugural do aeroporto de Beja. Sejamos claros: aquele voo é extraordinário e está fora daquilo que seria lógico na abertura de um aeroporto. Mas tem um importante significado! Em primeiro lugar, revela uma ousadia do presidente da Câmara de Ferreira do Alentejo que merece ser elogiada. Com esta iniciativa, a Câmara de Ferreira conseguiu demonstrar que não estamos perante um sonho: o aeroporto está ali, pronto para que a região consiga tirar partido do seu potencial!
Admitamos, contudo, que isso carece do empenho e da força políticas para seguir em frente. Sendo assim, importa deixar aqui um voto de confiança para a ANA. Estamos absolutamente certos que esta empresa pública não está no processo apenas para cumprir uma determinação governamental. Pelo que se tem sabido, a ANA está a lidar com este processo de modo competente, sério e responsável. E precisa de tempo!
Não tenhamos ilusões: a abertura de um aeroporto, sobretudo se falamos do aeroporto de Beja, que é muito específico e está situado no interior do país, carece de uma trabalho muito apurado, inteligente e nem sempre fácil. Poderão alguns julgar que a abertura de uma infra-estrutura destas é quase como estalar os dedos. Não é! Sobretudo se o projecto é em Beja, no interior do país, numa pista militar e num tempo de “vacas magras”.
Perante tudo isto, inaugurar o aeroporto ainda continua a ser um caminho exigente e árduo. Um desafio que carece da melhor inteligência e pertinácia, mas também de um apoio político sério. Estamos certos que esse caminho já não tem retorno e que, como ficou bem provado na quarta-feira, dia 13, um futuro mais próspero para a nossa terra passa seguramente pelo aeroporto de Beja. Assim tivéssemos outras certezas!

o congresso

O Partido Socialista reúne este fim-de-semana em Congresso Nacional para consagrar Sócrates como secretário-geral e, obviamente, focar o alinhamento dos discursos e respectivas conclusões no acto eleitoral precipitado e algo irresponsável que a oposição decidiu antecipar para o pior momento.
Com seis anos de governação, os socialistas estão a “carregar” uma factura pesada que chega do exterior, fruto de um contágio indesmentível que já dilacerou a Grécia e a Irlanda (era um país exemplar, lembram-se?). Ignorar isto é ser pouco sério, mas, evidentemente, não reconhecer que o Governo errou nalguns pontos da sua estratégia também é pouco acertado.
Sendo assim, aquilo que será desejável para os socialistas neste momento é, sem dúvida, impedir que a reunião de Matosinhos seja uma submissão à urgência eleitoral e sem condições ao líder. Isto é, os socialistas têm de ser capazes de pôr o dedo nalgumas feridas, questionar opções da governação e impulsionar Sócrates para uma linha de acção mais coerente e realista.
Ninguém pense que o congresso servirá para “lavar roupa suja” ou pôr em causa a liderança. Estão errados aqueles que prevêem uma insurreição contra Sócrates. Como se notou no resultado quase unânime da eleição, a unidade não está em causa: mas isso não pode fechar a porta ao aprofundamento do debate. E o PS precisa de reflectir com ponderação e discutir com frontalidade e auto-crítica.
Agir desse modo permitirá dar um primeiro e decisivo contributo para Portugal sair desta borrasca em que está mergulhado. Sendo o partido da democracia e da liberdade, o PS também tem de ser capaz de ser, em quaisquer circunstâncias que as eleições ditarem, o partido da responsabilidade.

editorial do "Correio Alentejo" publicado a 01 Abril

segunda-feira, 21 de março de 2011

venham mais cinco!



Cinco anos na vida de um jornal que nasceu em Beja são quase uma eternidade! Olhamos para a história e concluímos que, nesta região do Baixo Alentejo, a vida não tem sido fácil para projectos de imprensa novos, nascidos do zero e sujeitos a todos os riscos de uma terra com economia muito frágil, poucas pessoas e algumas compreensões menos justas.
Neste primeiro parágrafo está resumido o percurso do “Correio Alentejo”. São conhecidas as razões que levaram ao seu surgimento e os diferentes percalços que teve de enfrentar. Mas… cá estamos, prontos para mais cinco anos e outros tantos desafios, com dias difíceis, boas e más notícias. E gente entusiasmada que nos incita em todos os momentos.
Estamos prontos e coesos para prosseguir uma missão que, perdoem-nos hoje a imodéstia, abriu caminhos na imprensa regional, inovando, criando novas formas de trabalhar e abordar a actualidade, arriscando em temas pouco usuais na nossa imprensa, com novas soluções para conteúdos e na área comercial.
Em 251 números do “CA” há muitos erros e coisas mal feitas! Mas acreditamos que também há muito empenho e muitas (boas) provas dadas. De diferença, criatividade, identidade e alguma ousadia!
Ficamos contentes por compreendermos que, nesta fase, títulos históricos e muito respeitáveis, não negam que o “CA” pode ser fonte de inspiração. Isso é bom! Podemos ser concorrentes, mas seremos mais fortes e ajudaremos melhor a nossa terra se formos frontais e leais!
Nesta casa nunca tivemos pudor com a adjectivação! E há termos que não deixamos cair em saco-roto ou que desrespeitamos quando é oportuno. O “CA” tem uma personalidade própria, assumida, muito alentejana e com raízes na terra. Aqui não negamos princípios ideológicos nem nos refugiamos em falsas independências! Mas há valores básicos da deontologia jornalística de que nunca prescindiremos: notícia é notícia; opinião é opinião!
O fortalecimento que agora se concretiza na área de opinião do jornal, com uma pluralidade inegável e ainda mais ampliada, é, aliás, uma prova acrescida da liberdade que o “Correio Alentejo” continua a assumir. Um sinal de vigor e nova determinação, numa sociedade onde é preciso cimentar a tolerância e pô-la de mãos dadas com a diversidade social e ideológica.
Esse é o nosso caminho. Com respeito pela nossa curta história mas confiantes que é possível prosseguir um trabalho inovador, com capacidade para fortalecer os conteúdos editoriais, dinamizar com criatividade a área comercial (sem ela, que seria de nós!) e fazer uma aposta mais consistente nas plataformas digitais, seguramente com uma remodelação completa do sítio www.correioalentejo.com
Há outras ideias que já estão em marcha e que teremos oportunidade de anunciar gradualmente. Propostas que estão a ser amadurecidas e que irão ajudar-nos a consolidar ainda mais o único projecto de iniciativa totalmente privada da imprensa regional.
Um projecto que nada seria sem a forte relação estabelecida com os nossos assinantes e leitores, que cada vez são mais! E com os clientes fiéis e interessados (autarquias locais, empresas e empresários da região!) que fazem do “CA” um parceiro de negócios. Finalmente, não podemos deixar de destacar o trabalho feito por uma pequena equipa (cinco profissionais em permanência e mais quatro colaboradores) que, desde a primeira hora, assumiu este desafio com coesão e soube “vestir a camisola”.
A todos muito obrigado. E venham mais cinco!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

dia 4, sexta-feira, nas bancas

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

londres: 22 de maio



O operador turístico britânico Sunvil vai realizar 22 voos "charter" entre o principal aeroporto de Londres e o de Beja entre Maio e outubro deste ano, "assentes numa programação variada" no Alentejo, foi hoje anunciado. Os 22 voos entre os aeroportos de Heathrow e de Beja vão realizar-se aos domingos, entre 22 de Maio e 16 de outubro, através de um avião Embraer 145 de 49 lugares, precisa a ANA - Aeroportos de Portugal.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

já nas bancas

exigência e pluralidade



O presidente da Câmara da Vidigueira teve esta semana uma expressão certeira sobre o persistente embaraço que a nossa sociedade tem em lidar com os cidadãos de etnia cigana. Afirma Manuel Narra, e nós concordamos inteiramente, que, na Vidigueira como noutro concelho qualquer, “não há ciganos nem minorias étnicas, só há portugueses e todos têm os mesmos direitos e deveres”.
Sendo uma afirmação correcta e responsável, a verdade é que, no Alentejo e no resto do país, as coisas não são assim tão simples. Os hábitos pouco regrados e o espírito insurrecto da etnia cigana suscitam, não poucas vezes, implicações negativas e nada aceitáveis. É usual encontrar uma permanente exigência de direitos mas, no que diz respeito aos deveres, o povo cigano não costuma estar tão disponível.
Esse é o ponto de toda a divergência. Os ciganos só conseguirão obter o respeito geral e uma integração plena na sociedade se agirem com responsabilidade e sentido cívico. E se forem capazes de cumprir os deveres gerais que são exigidos a todos.
Claro que, noutros sectores da sociedade, não é raro encontrar cidadãos que também atropelam as regras mais elementares de civismo. E muitas vezes são aqueles que mais exigem aos outros! Não sendo esse um pormenor com pouco relevo, o que importa neste caso é reforçar a ideia expressa por Manuel Narra. Quem quer respeito deve dar-se ao respeito. Quem quer direitos tem de cumprir deveres. Quem exige respostas sociais não pode atropelar as regras instituídas na vida em sociedade.
Em síntese: a pluralidade dos povos e a riqueza dos seus hábitos culturais são bens inatacáveis que devem ser preservados e valorizados. Mas as normas elementares de convivência social e democrática também têm que ser respeitadas. E é bom ver esta questão tão delicada com os dois olhos bem abertos e com inteira racionalidade.